Completando a trilogia dos artigos sob a rubrica HUMANOTECNOLOGIA, trago aqui mais um argumento na direção da conscientização do poder humano diante da ameaça das máquinas “inteligentes”. Desta vez, chamo atenção para as regras do jogo na batalha de tecnologias NATURAL X ARTIFICIAL. Penso que esse seja o momento oportuno e, arriscaria dizer, derradeiro, antes do juízo final. Nós, humanos 100% biológicos, somos e ainda seremos por algum tempo os donos da bola, os reis da cocada preta, os que ainda distribuem as cartas. Assim, temos a prerrogativa de ditar o rumo das coisas. Mas se essa é uma verdade, por que então estamos sucumbindo? Por que estamos perdendo a nossa capacidade de gerar renda suficiente para retroalimentar a lógica do autodesenvolvimento e, consequentemente, de novos ciclos de prosperidade? Para nos situarmos e respondermos a essas perguntas, vamos ter que adentrar em alguns aspectos.
A
AMEAÇA AO HUMANO MECANIZADO
Em sua recente obra,
HUMANOS SUBESTIMADOS, Geoff Colvin pontua a respeito da nova ordem na lógica
produtiva. Seu argumento decreta o fim da histórica e mútua dependência entre o
capital e o trabalho. O fundamento capitalista, a partir da revolução
industrial, sempre esteve galgado nesses dois pilares. A expansão do consumo
generalizado concomitante com a capacidade produtiva crescente fez, por
séculos, desses dois elementos (vale lembrar nem sempre com um convívio tão
amigável) aliados inseparáveis. A medida em que trabalho mais capital geravam
mais riqueza, maior a capacidade de consumo e de novos investimentos,
consequentemente gerava mais oportunidades de aplicação de capital e de
trabalho. Esse círculo virtuoso perpetua-se através da “domesticação” do humano. Esse humano que catava seletivamente seu
alimento, caçava bravamente animais ferozes para satisfazer suas necessidades
calóricas e, mais tarde, produzia criativamente e de maneira artesanal
artefatos e utilitários essenciais para sua subsistência, foi levado a abdicar
de seu conhecimento e de sua criatividade para postar-se diante de uma esteira
rolante onde ele, humano, mecanicamente executava repetidamente uma pequena
parte de todas as tarefas necessárias para a produção de um determinado produto.
Acontece aí o início do processo de mecanização do ser humano. Processos bem
definidos e detalhados elaborados por um pequeno grupo de pessoa bem pagas para
esse fim determinavam rigidamente o que fazer. O humano então passa a ter como
sua principal habilidade a capacidade de executar com precisão os mesmos gestos
e atos no menor espaço de tempo possível tarefas manuais e repetitivas que
exigem muito pouco ou quase nada de sua inteligência. Muitos anos passaram-se e
fomos construindo essa lógica como nossa zona de conforto. Paralelamente,
ferozmente incentivados pela busca insaciável da elevação da produtividade e
capacidade de fazer mais com menos, a tecnologia veio sendo desenvolvida. A
obtenção de mais precisão, mais rapidez em processos cada vez mais estáveis são
objetivos diários do mundo capitalista e nessa busca muitos períodos tensos
foram enfrentados. Porém, sempre houve uma brecha aberta na razão capital –
trabalho que acabou por reacomodar as coisas. No entanto, estamos hoje diante
de um inusitado desafio batizado por gurus e estudiosos como a era pós-humanista. A perfeição de
movimentos da robótica aliada à inteligência artificial e ao machine learning vêm proporcionando ao
capital o poder único de satisfazer todas as necessidades de trabalho sem a
intervenção humana. A lógica produtiva resume-se então em capital que gera
trabalho, o qual é atendido pelo próprio capital de maneira mais rápida,
eficiente e estável. Mas por que fica tão fácil para a máquina derrotar o
humano?
A
ROBOTIZAÇÃO CEREBRAL
Em um linguajar curto e
grosso: o cérebro é como um músculo, se não usar atrofia. O cérebro dos humanos
está atrofiado pela lógica imposta de mecanização das tarefas. Muitos entram em
pânico quando são forçados a pensar fora da caixa. Mas por que não mudamos?
Recorro aqui ao músculo novamente para explicar nossa grande resistência em ser
diferente. Quando fazemos exercícios e somos conduzidos a executar movimentos
que mexem com partes do corpo que não usamos usualmente, sentimos grande
desconforto. A sensação de um esforço maior, a falta de coordenação. Isso nos
leva imediatamente a pensar em desistir com o argumento de que isso não é para mim ou nunca gostei de exercícios. No dia
seguinte, a tragédia completa-se, estamos semialeijados, com uma dor
paralisante. O mesmo acontece quando nos forçam a criar, usar o senso crítico,
expressar-nos de forma didática, ter ideias, etc. O processo levou-nos a uma
condição semirrobótica, com alguns lampejos de rebeldia criativa. Somos humanos
limitados em nossas potencialidades com um uso reduzido de nosso cérebro e
totalmente vulneráveis à ameaça tecnológica. Somos presas fáceis para os
infalíveis, ultraprodutivos e cada vez mais cognitivos robôs. A lógica é
perversa porque se a regra do jogo é fazer mais com menos, humanos robotizados
não têm a menor chance. E qual será a saída, portanto? A resposta é simples: É
PRECISO DESROBOTIZAR NOSSO CÉREBRO E ESTABELECER UMA NOVA ORDEM NESSE CAMPO DE
BATALHA.
HUMANOTECNOLOGIA,
A DESROBOTIZAÇÃO CEREBRAL
Isso vai parecer um pouco
papo de doido, mas uma coisa é certa: o sistema de troca de horas dedicadas por
dinheiro está ruindo. Oito horas diárias em troca de um holerite (contracheque
para outros) no fim do mês, sem que se associe diretamente essa dedicação ao
valor agregado entregue não funciona mais na era pós-humanista. Humanos precisam
criar e consolidar novas bases para essa relação com o capital. Esse é o nosso
mundo, portanto prevalecerão as nossas regras. A tecnologia humana, puramente
biológica precisa dar-se conta do poder de suas capacidades e acordar a tempo
para virar esse jogo. Mas será que conseguimos enxergar isso? Será que estamos
equipados intelecto e emocionalmente para saber o que queremos? Essa é uma
jornada que precisa ter início em algum momento. Para falar a verdade, ela já começou
em polos mais avançados de desenvolvimento. A realidade é que precisamos levantar
a cabeça e expandir nossa atenção. Precisamos nos conhecer mais, gerir nossos
impulsos, acreditar que somos capazes de criar coisas, experimentar, ter apreço
pelo incerto, construir criativamente e ter certeza de que no momento certo, a
nossa intuição captará algo inusitado e valioso. Crer no processo da HUMANOTECNOLOGIA e deixar
a lógica mecanicista ser gradativamente absorvida pelas máquinas. Mas quais
seriam então essas novas regras?
HUMANOTECNOLOGIA
– MEU MUNDO MINHAS REGRAS
É óbvio que o processo é
gradativo, não haverá o dia “D”, um momento em que as máquinas
surpreendentemente sairão em bando detonando o mundo dos humanos. Porém, esse
movimento gradual pode revelar-se uma grande vantagem ou, dependendo de cada
um, uma ameaçadora ilusão. Dependerá da decisão individual que tomamos agora: se
ficamos deitados em berço esplêndido esperando a luz divina vir nos salvar ou se
entendemos de uma vez por todas o que está acontecemos e nos mobilizamos rumo à
mudança. Se saímos do estado contemplativo de deslumbre em relação a todas as
alternativas onde o prefixo/sufixo tecnologia
aplica-se ou passamos a focar obstinadamente na nossa “HUMANOTECNOLOGIA”. A tecnologia biológica do poder humano deve
ser trabalhada e elaborada de forma estratégica para o protagonismo. Muito
tem-se publicado a respeito do futuro do trabalho, mas qual seria então a
essência humana da HUMANOTECNOLOGIA capaz de levar-nos ao topo nessa jornada?
Resolvi resumi-las em quatro e abreviá-las estrategicamente na sigla ECOS, equivalente às iniciais das
virtudes EQUIDADE, CORAGEM,
ORIGINALIDADE e SOCIABILIDADE.
ECOS
DA SUPERAÇÃO
CONCLUSÃO
Existem desafios
gigantescos a serem superados no futuro breve da humanidade e com eles, um
mundo de oportunidades em que muitas das quais ainda nem nos damos conta. Na era pós-humanista,
o diferencial será justamente a capacidade de mergulhar mais profundamente na
essência humana e ter a habilidade de usufruir dela. Trazer para o topo da
lista a melhor e mais poderosa tecnologia na face da terra: a
HUMANOTECNOLOGIA.
Encerro esse meu
argumento com a imagem e a citação de um dos cientistas mais importantes do
mundo contemporâneo. Citação extremamente atual e consciente de uma super-mente
publicada em sua última obra, pós-morte, extraída de suas anotações: BREVES
RESPOSTAS PARA GRANDES QUESTÕES. Exemplo singular de coragem e superação.
...
existem outros desafios, outras grandes questões no planeta que devemos
responder, e elas exigirão uma nova geração interessada, engajada e com
compreensão da ciência. Como alimentar uma população cada vez maior? Como
fornecer água limpa, gerar energia renovável, prevenir e curar doenças e refrear
mudanças climáticas globais? Espero que a ciência e a tecnologia forneçam
respostas a essas perguntas, mas serão necessárias pessoas, seres humanos com
conhecimento e compreensão, que implantarão essas soluções. Devemos lutar para
que todo homem e toda mulher tenham a oportunidade de viver vidas seguras e
saudáveis, repletas de oportunidade e amor. Somos todos viajantes do tempo em
uma jornada rumo ao amanhã. Mas vamos trabalhar juntos na construção desse
futuro, um lugar que queremos visitar.
Seja
corajoso, seja determinado, supere as probabilidades. É possível.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
COLVIN, Geoff. Humanos subestimados. São Paulo:
DVS, 2016.
HARARI, Yuval Noah. Homo Deus: uma breve
história do amanhã. São Paulo: Cia. das Letras, 2015.
HAWKING, Stephen. Breves respostas para grandes
questões. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2018.
FREY, Carl Benedikt / OSBORNE, Michael A /
HOLMES, Craig. TECHNOLOGY AT WORK v2.0
The future is not what it used to be. Citi GPS: Global Perspectives &
Solutions, 2016
Coaching - Uma outra abordagem para o Sucesso!







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